segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Bravatas e “faladuras”


Há muitos dados, que não possuo, imprescindíveis à compreensão do problema da transferência para Angola do processo sobre Manuel Vicente. Aliás, penso mesmo que só os têm alguns daqueles que ocupam altíssimos cargos nos planos judicial e de política externa. Não obstante, toda a gente – até eu! - “bota discurso”, e o disparate prolifera. Fala-se de interesses económicos, paulatinamente esquecidos pela Procuradoria-Geral da República, escudada, e bem, na independência do poder judicial. Fala-se de protocolos assinados, presume-se que com boa-fé e sem coacção, por Portugal e Angola, em que cada um deles só em determinadas condições poderá recusar transferir para a justiça nacional do outro um qualquer processo. Ao que julgo saber, neste caso concreto, existe apenas um motivo plausível, o de o nosso Ministério Público “pensar” que a justiça de Angola não será confiável por vir a aplicar uma lei de amnistia que, mal ou bem, consta do seu ordenamento jurídico. Atropelando o princípio do primado da lei, que deveria ser a sua “pedra de toque”, com que autoridade moral duvida a justiça portuguesa da fiabilidade da congénere angolana, quando permite fugas de informação e dá a partes contrárias ficheiros pejados de vírus? E será que assume categoricamente essa posição, “borrifando-se” para as consequências, de cariz económico ou outro? Se sim, terá mesmo o bom-senso adequado a um órgão de soberania?

domingo, 21 de janeiro de 2018

A CRIANÇA SÁBIA

Aborreço-me, sabes. Aborreço-me da banalidade das conversas, da monotonia dos temas. Vá lá que tenho subido ao palco, que me tenho passado para o lado de lá, que tenho incendiado. A verdade é que a maioria das pessoas me aborrece, não segue a minha estrela, se é que segue alguma estrela...
Ao longo da vida, tenho encontrado pessoas muito interessantes, fascinantes mesmo, com quem dá um gozo imenso trocar ideias mas essas pessoas não estão sempre presentes, algumas até já partiram. A verdade é que o que conta realmente na vida é o gozo, a criação, o amor, a amizade, a sabedoria, a espiritualidade, não são as riquezas materiais. Daí que seja ridícula a corrida em que a grande maioria das pessoas estão envolvidas, a corrida dos macacos que trepam uns para cima dos outros em busca do dinheiro, do poder, do estatuto. Matam-se uns aos outros em guerras inúteis, em jogos de futebol que, ao fim e ao cabo, não têm importância nenhuma. Importa, por isso, atirar de vez a bola fora, abandonar o jogo, brincar pelo simples gozo de brincar como as crianças, como a criança sábia.

Sacerdotes ou sacerdotes homens?

Os últimos dois domingos, no PÚBLICO, foram férteis em editoriais, artigos, crónicas e cartas sobre o papel das mulheres na Igreja Católica, mormente como sacerdotes e ministros presidentes da Eucaristia. Foram as jornalistas Lourdes Ferreira e Margarida David Cardoso, foi Frei Bento Domingues (por duas vezes) e foi José P. Costa. Ainda, de algum modo relacionado com o tema, veio Natália Faria falar sobre "padres importados".
O assunto é complexo (será mesmo?) mas julgo poder dizer que o tom geral dessas palavras todas, era no sentido da defesa da popular frase "as mulheres podem dizer missa". Mormente dos textos de Frei Bento (FBD), parece inequívoco que, com o baptismo, elas ganharam esse direito, tal como os homens, e que, dentro da Igreja, há padres, como o teólogo Edward Schllilebeeckx (ES), que , por várias vezes, aduziu razões para a mudança de visão "misógina" do estado actual das coisas, mas foi sempre "admoestado" e repelido nas ideias, pela hierarquia.Segundo José P. Costa, citando as fontes, o próprio Papa Francisco (será por isso que, de dentro, o apelidam de "herege"?) defenderá o acolhimento do "gineceu".
A pergunta que faço é: porque razão os padres, neste caso dois dominicanos, FBD e ES, se mantiveram dentro duma religião que não admite, mesmo perante evidências tão grandes, que uma "parte de si", as mulheres, sacerdotes como "Eles", cumpram uma missão que ajudaria, e muito, os seres humanos a quem chamam fieis? A fidelidade não deveria ser bidireccional?

Fernando Cardoso Rodrigues

ESTATÍSTICA DE 2017 - NOMES E NÚMEROS

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Tendo o ano de 2017, terminado já há alguns dias, já são horas de fazer um pequeno e modesto balanço das nossas participações, ao longo do ano de 2017, e vos apresentar o quadro da respectiva Estatística de 2017-Nomes e Números, deste "blogue", e de todos aqueles que participaram ao terem colaborarem, cada um ao seu jeito, respectivo talento, inspiração e muita imaginação, como "escribas". Como tão importante é, a devida imaginação, inspiração, talento, dedicação e principalmente, de tempo disponível e a disponibilidade que cada um de nós dá e tão necessário é para se tornar possível ver crescer todos os dias este projecto. Sim, tem que haver da parte de cada um de nós, duas coisa que são muito importantes e quanto a mim são fundamentais, que é a paixão, e o amor, neste mundo, do manejo da "pena".
Como já afirmei mais atrás, o talento e a imaginação, também são um dos muitos factores importantes, para um casamento perfeito, neste mundo das "letras", para assim ser possível e cada vez mais, se poder fazer crescer, mais e mais, e manter viva a "A Voz da Girafa", que acrescento, já vai no seu 5.º ano.
Tal como tenho vindo a fazer, ao apresentar ao longo dos anos de 2013; 2014; 2015, 2016, respectivamente, as estatísticas, e hoje venho apresentar o ano de 2017,  numa espécie de balanço dos números, venho mais um ano apresentar, os nomes e os números de todos aqueles que têm tornado possível e crescimento constante, deste "blogue".
Reconheço, muitos talentos, e não me canso de realçar, que ao longo destes cinco anos, tenho bebido muitos ensinamentos de todos vocês e como tal, obviamente aprendido muito. Obrigado a todos.
Não me vou alongar em mais considerações, só vou realçar um pequeno-grande pormenor, só é pena, efectivamente que não hajam prémios para poderem serem distribuídos neste "blogue", como os há no mundo, do desporto, do cinema, do teatro, da música, da ciência, da literatura, da pintura, da economia etc., e se eventualmente estivesse que instituir um prémio (e, desculpem-me todos), eu tomava a liberdade de o oferecer ao José Bernardo Amaral, acima de tudo um grande poeta, com o prémio a "A GIRAFA DE OURO".

Um "ganda" ANO DE 2018, para todos vocês e respectivas famílias, que são o nosso maior suporto e fonte para as nossas inspirações...e, muito especialmente desejo-vos, muita SAÚDE; PAZ; AMOR E SOLIDARIEDADE, e muito mais compreensão entre todos nós, e saibamos respeitar as opiniões de cada um…porque não somos todos iguais, em talentos, felizmente…Como curiosidade tivemos um aumento de textos-opinião, em relação ao ano de 2016, de cerca de um aumento de 45,02%.
          AO LONGO DO ANO DE 2017, FORAM PUBLICADOS 2403 TEXTOS-                   OPINIÃO DOS COLABORADORES DO BLOGUE "A VOZ DA
                                       GIRAFA", ASSIM DISTRIBUÍDOS:
           
Transporte 2367
José Bernardo Amaral 487 Dina Ferreira 2
Mário Jesus 394 José Faria 2
Amândio G. Martins 272 José Madureira 2
Fernando Cardoso Rodrigues 172 Rui Oliveira 2
António Pedro Ribeiro 134 Sousa Machado 2
Joaquim A. Moura 127 Vitor Heleno 2
Francisco Ramalho 107 A. Betâmio Almeida 1
Jorge Morais 106 António Barbosa  1
Vitor Colaço Santos 89 Artur M. Carvalho 1
José Rodrigues 82 By e Z B    1
Ernesto Silva 67 Carlos Leal 1
Graça Costa 59 Carlos Pernes 1
Luís Robalo 44 Dinis Evangelista
1
Manuel Alentejano 43 Filomena Costa Freitas 1
Augusto Kuttner Magalhães 38 Francisco Pina 1
Maria do Céu Mota 31 Gaspar Reis 1
Joaquim Carreira Tapadinhas 24 Ji Do Kwan 1
Ezequiel Neves 11 Jaime R. Azevedo 1
Fátima Rodrigues 10 José Manuel Pina 1
Joaquim Barros Correia 10 José Palha 1
Ricardo Santos 10 Luís Moreira 1
João Fraga Oliveira 9 Luís Pereira 1
Ricardo André 7 Luís Reis 1
José Araújo 6 Mário Margaride 1
Quintino Silva 6 Mário Martins 1
Simões Ilharco 6 Miguel Simões Correia 1
Maria Clotilde Moreira 5 Orivaldo  Jorge de Araújo 1
Zulmiro Raimundo 4 Nelson Miguel Bandeira 1
Susana Alice Neves 3 Raul Fernandes 1
Ana Santos 2 Tiago Cruz 1
António Graça 2
A Transportar ………… 2367 Total ………………………… 2403

MÁRIO DA SILVA JESUS

REGRESSO AO PIOLHO

Regresso ao Piolho. Há muito tempo que não escrevia no Piolho. De qualquer forma, continuo a sentir-me bem no Piolho. O Piolho continua a ser o meu café no Porto. Depois de quase uma semana de abstinência voltei a beber álcool. Pouquinho, para começar. Lembro-me do Carlos Pinto, do Joaquim Castro Caldas, do Rui Costa. Já partiram todos. Eu continuo aqui, apesar dos sustos. E o ano está a começar em grande. Apareço em todo o lado. Hoje tenho mais mais um concerto, no Rés-de-Rua. Dia 2 há o Hard Club. E como me afasto das imbecilidades, como me afasto do Big Brother. Definitivamente abandonei o rebanho. Definitivamente encontrei o caminho. Só preciso de uma mulher bela e inteligente. E da revolução, claro. De resto, sinto-me poderoso. I'm the Lizard King/ I Can Do Anything. No JN já me publicam textos proféticos. Uma mulher...uma fêmea. Quero-a. Não mais atrofiadas. Danço com Dionisos e as Bacantes. Não estou agarrado às horas. Sou um homem plenamente livre. Sou o poeta que foge da moda e da moeda. Sim, eu estou a triunfar. Os meus poemas circulam. Já sou reconhecido, quer queiram, quer não. Sei, no entanto, que, se aguentar, aparecerei muitas mais vezes. Porque eu tenho uma mensagem, porque eu tenho algo de novo a dizer. Os media procurar-me-ão mais e mais porque eu não sou como os outros. Porque eu sou um dos loucos divinos. Porque eu faço da vida um experimento permanente. Porque eu nasço hoje, porque eu nasço todos os dias. E não me contento com homens pequenos nem com meias-medidas.

NÃO SERÁ QUE OS DIRECTORES DE COMUNICAÇÃO DOS CLUBES, NÃO FAZEM DECLARAÇÕES PROVOCATÓRIAS?



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No momento actual, em que o futebol português, vive e está demasiado agitado, e que toda a “minha” gente, neste caso, por exemplo, e em especial, os chamados Directores de comunicação dos clubes mais endinheirados, e que esses mesmos clubes, dão guarida a mais uns tantos “mamões”, que vivem às custas dos clubes grandes, por coitados dos clubes mais pequenos, tomara que nas suas tesourarias os escassos euros, amealhados das quotas dos seus sócios, cheguem para pagar pelo menos aos roupeiros, quero dizer, técnicos de equipamentos, na linguagem moderna do futebol.
Então, para que servem os ditos Directos de comunicação dos clubes? Para fazerem declarações com pouco senso, e se provocarem uns aos outros com declarações, escaldantes e que todos os assuntos servem para descredibilizar, desestabilizar e provocarem “os parceiros do lado, isto é, os outros Directores de comunicação dos outros clubes”, com assunto de autêntica mesquinhez, e que em nada servem para a desejada pacificação do desporto-rei, que é o futebol, a grande indústria que movimenta milhões de euros, refiro-me claro aos chamados clubes grandes.
Todos os dias, somos confrontados, com as páginas da comunicação social, dos jornais ligadas especialmente ao futebol, cheias de troca de acusações entre os tais Directores de comunicação, onde muitas das declarações, não passam de serem irónicas, em que entre eles se põem a gladiarem-se, praticamente se põem em bicos de pé, arranjando todos os pormenores e estratégias, para se atacarem entre si,  e mancharem a maior parte das vezes os nomes dos clubes, que estão a representar, mas muito mal. Como tal esses tais Directores de comunicação, que em nada estão a contribuir para a tal pacificação que tão necessária é, no momento actual em que futebol vive, momentos de grande agitação devido precisamente a esses “moços de recados” dos presidentes dos clubes, e assim em nada estão a contribuir para desejada e a tal pacificação, que tão necessária está a ser para a “paz” do nosso futebol. Que essa espécie de dirigentes ou “mensageiros” dos presidentes, sosseguem de vez, e nãos e ataquem tanto, uns aos outros. É tempo da gente do futebol, parar, pensar e porque não fumar o tal cachimbo da paz, para bem deste agitado futebol. 

(Texto-opinião, publicado na edição Nr.º 46524 do Diário de Notícias da
  Madeira de 21 de Janeiro de 2018)

MÁRIO DA SILVA JESUS


Desconformidades graúdas


A polémica gerada à volta do programa “super ama”, há pouco estreado na SIC, tem toda a razão de ser, dada a tendência de muitos pais para exibir os filhos, por bons e maus motivos; e palpita-me que não vão faltar protagonistas a inventar filhos problemáticos só para terem os tais minutos de fama e ganharem os mil euros que a produtora paga a cada família...

É sabido que muitos pais usam os filhos para colmatar lacunas e frustrações da sua própria vida, na tentativa de os ver conseguir o que a eles não foi possível; como aquelas mamãs que levam as meninas a todos os “casting” para modelo, e papás que levam os rapazes para o futebol infantil , querendo fazer deles craques à força, torpedeando todas as regras, ao ponto de a violência no futebol juvenil aumentar de ano para ano.

Diz a este propósito ao JN Maria Eduarda, árbitra da Associação de Futebol de Braga, que é frequente ver os pais, da bancada, gritar para os filhos: “Vai atrás dele, cospe-lhe, parte-lhe uma perna”! Parece que, em Espanha, há árbitros que não hesitam em expulsar espectadores que incitem à violência; e nos Estados Unidos há o dia do silêncio, que impede os espectadores de se manifestarem, precisamente com o fim de alertar para comportamentos incorrectos...


Amândio G. Martins



A 21 DE JANEIRO DE 1961, MORRE, JOÃO VILLARET

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A 21 de Janeiro de 1961, morre, em Lisboa, João Henrique Pereira Villaret, foi um actor, encenador e declamador português. Artistas e intelectuais desfilaram perante a urna com os restos mortais de João Villaret e milhares de pessoas estiveram presentes nos eu funeral, numa impressionante manifestação de pesar. Formação: Escola Superior de Teatro e Cinema.

Nasceu em Lisboa a 10 de Maio de 1913.

Fonte 1; Diário de Lisboa nº 13688, de 21-01-1961, pp 9 e 10
Fonte 2; Diário de Lisboa nº 13689, de 22-01-1961, pp. 1 e 14

sábado, 20 de janeiro de 2018

Onde fica Martim Longo?

Um dos programas de rádio de que sou ouvinte (quase) fiel é o "Hotel Babilónia", aos sábados de manhã na Antena 1. Durante muito tempo feito por João Gobern (JG) e Pedro Rolo Duarte, tem agora uma nova pessoa no par, Margarida Pinto Correia (MPC), que substituiu o segundo por morte deste. Neste novo tandem, ouvi-o hoje pela primeira vez. E comecei mal...
Tinham como convidada Ana Bacalhau, agora com carreira também "a solo". Como o programa, é variado, a determinado momento, JG levantou o tema do recente "Ministério da Solidão" no Reino Unido, para o enaltecer ( ao contrário de mim que, como já o disse, sou algo "céptico") e MPC interrompeu-o para falar duma associação de apoio aos idosos (julgo ter sido isto) em Martim Longo. Segundos passados, JG perguntou-lhe onde ficava essa terra (eu também não sabia), ao que ela respondeu que era "muito, muito a norte" (sic). Algum tempo depois foi a vez de MPC interromper, para se "penitenciar" de ter dado informação errada, pois Martim Longo é uma freguesia da vila raiana de Alcoutim no distrito de Faro. Seria somente um erro que foi corrigido, só que.... antes de dar a última informação, MPC fez uma espécie de preâmbulo, em jeito de justificação, em que dizia, mais ou menos, que " como ela era uma pessoa que gosta muito do sul, tudo o que fica acima de Marrocos, já é muito a norte".
Importância? Nenhuma, direi eu. Mas que para quem queria emprestar saber ao tema, a ignorância era muita e parte da "emenda foi pior que o soneto", temos que convir.

Fernando Cardoso Rodrigues
Quase todos nós, temos uma pequena localidade ou uma aldeia, no nosso coração, que faz parte das nossas vidas, das nossas memórias. Pelos laços familiares, pela vivença enquanto crianças ou jovens, ou por outros motivos.
A minha, chama-se Sabrosa, no Alto Douro. Foi aqui que nasceu o meu progenitor. Costumo dizer que Sabrosa é terra natal de três grandes personalidades: Fernão de Magalhães, Miguel Torga e Manuel Valdigem.
O meu pai imigrou para a Trofa ainda muito jovem, para trabalhar na Farmácia Trofense. Porque era muito responsável e cumpridor, os patrões queriam casá-lo com uma das filhas. Mas um dia deu de caras com a Rita, filha do Lino do Carqueijoso, e enfeitiçou-se. Dessa união, nasceram 3 marmanjos, dos quais eu, sou o do meio.
Na década de 50, duas ou três vezes por ano, viajávamos até Sabrosa para abraçar a família. Inicialmente no táxi do tio Simeão (irmão do avô Lino). Posteriormente, em carro próprio. E lá íamos nós, Marão acima, pela velhinha N-15. Nunca menos de 4 horas

Agora é que vem o lado engraçado da história.

Após o jantar, ninguém escapava à missinha. A minha avó (e madrinha), viúva de longa data, a todos impunha a sua autoridade. Era mais de 1 hora, em que o terço dava várias voltas. Um martírio!
- Pelos velhinhos desamparados, ( a prole respondia: rogai por nós).
- Pelas crianças abandonadas, rogai por nós.
- Pelo Santo Padre, rogai por nós.
- Pela Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.
- Pelo nosso Bispo António, rogai por nós.
- Pela conversão da Rússia, rogai por nós (aqui o meu pai não respondia).

E a mais desconcertante: PELA CONSOLAÇÃO DAS VIÚVAS, rogai por nós. Aqui a minha mãe fazia um esforço suplementar para não escandalizar os presentes, pedia autorização para se ausentar e refugiava-se na cozinha para aliviar o sufoco.

A todos os colegas da Voz, desejo um bom fim de semana.

José Valdigem

HOMEM LIVRE, ÉS DAQUI E NÃO ÉS

HOMEM LIVRE, ÉS DAQUI E NÃO ÉS
Texto publicado no Jornal de Notícias de 17/1/2018
Penso que hoje poderia passar dia e noite a escrever. Posso até gerar estrelas de tal forma me sinto grávido. Posso também ouvir os meus semelhantes que se queixam e estão mortos por chegar a casa. Chegar a casa, ligar a TV e olhar as imagens que vivem por nós em vez das imagens que podemos gerar, de tudo o que podemos gerar. Ó senhores, que "vida" levais? Sois escravos, todos vós. Ainda não percebestes que nada está acima da vida, da vida autêntica? Seres de luz vêm ter comigo e dizem-mo. Para alcançar a glória basto-me a mim mesmo. Para alcançar a glória basta-me estar aqui nesta confeitaria de Vilar do Pinheiro. Peregrinações virão a Vilar do Pinheiro. Ah! Ah! Ah! Ah! Estou louco. Não vedes? Absolutamente louco, absolutamente criança, absolutamente sem limites. O que fazer mais hoje? O que fazer mais aqui? Danço com o super-homem, brindo, celebro. Estou louco, mãe. Porque me trouxeste para aqui? Parecia que vinha para a vida regrada mas não vim. Aos 17/18, aos 19, aos 20, tornei-me outro. Em Braga, nos bares, na Rádio Clube do Minho. Os Doors, os Joy Division, os UHF. A TV sempre a martelar. Mas eu era diferente, tornei-me diferente. Ah! Não me atirem dívidas, contas, economistas! Eu estou para lá. Eu nasci para lá. Reinos esplendorosos, reinos de luz. Sou tão louco, mãe. Eu inventava jogos, personagens. Eu criei mundos. Eu naveguei por mares jamais navegados. Eu brincava com as meninas. Tinha uma namorada, a Gina. Dava-lhe a mão, dava-lhe beijos. Já nem sei quem sou, mãe. Sei que não pertenço a este mundo. Poucos e poucas realmente me compreenderam. Velhos amigos, à noite, no bar. Onde irei dar? Estou realmente próximo de atingir o que quero. Mas o que quero eu senão o Mundo? O de aquém e o de além.
Homem livre, és verdadeiramente tu. Homem livre, porque adormeces e agora regressas à vida? Homem livre, eles realmente acham-te estranho, diferente deles. Não és da mesma tribo, talvez até nem sejas da mesma espécie. Não lutas na mesma guerra. Não são teus os tambores que ouves. Homem livre, és daqui e não és. Tanto podes ser rei como podes acabar nas ruas. Continuarás o teu percurso pelos bares e pelas tascas. Este é o teu tempo. Olha, a mulher da confeitaria olha para o "Socialismo Científico" de Marx, Engels e Lenine que acabaste de ler hoje. Há livros que ainda podem ser explosivos. Tu és explosivo, homem livre. Com ou sem óculos. Poderias realmente passar o dia e a noite a escrever. Voltaste a ser o único cliente da confeitaria. A mulher não pára de trabalhar. Tens publicado textos falhados ou semifalhados. Este não é um deles.
Desmedida


Sonhei-te para minha namorada
Mas tu pairavas sempre muito alto
Querias uma vida sempre em palco
Mas só precisavas de ser amada...

E depressa passou a alvorada
Tudo se escureceu de um salto
E só a linha branca no asfalto
Ainda te manteve na estrada!

Querias sempre aquilo que não tinhas
E quando já tinhas o que querias
Querias outra coisa diferente;

Só te satisfazia o efémero
Indomável tendência do teu génio
Que te destacava de toda a gente.


Amândio G. Martins


JOHN KENNEDY, ASSUME A PRESIDÊNCIA DOS EUA

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John Fitzgerald Kennedy, nasceu em Brookline, Massachusetts, EUA, a 29 de Maio de 1917 – e veio a falecer (assassinado) a 22 de Novembro de 1963, em Dallas, Texas, EUA, foi um político estadunidense que serviu como 35.º presidente dos Estados Unidos e é considerado uma das grandes personalidades do século XX, preta juramento, em Washington, para presidente onde esteve no cargo de 1960 a 1963.


Fonte: Diário de Lisboa nº 13687, de 20-01-1961, pp. 1 e 10

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

"Ministério" de quê?

O PÚBLICO de ontem noticiou que o Reino Unido vai criar uma equipa intergovernamental, sob a tutela da secretária de Estado dos Desportos  e da Sociedade Civil, dedicada à solidão. O problema é que a notícia é encimada com a palavra "Ministério", o que deu azo a que pessoas, algumas com responsabilidades, nas redes sociais, já retiraram as aspas e vão insinuando que uma Secretaria de Estado seria curial no nosso país, "adjudicando" a solidão, quase exclusivamente, aos velhos Ora aí é que discordo totalmente pois a solidão não é propriedade de nenhum grupo etário e, infelizmente, grassa ( quando "imposta") transversalmente  em todos os períodos da vida.
Entendo que relevar certos aspectos da nosso viver, quer seja a solidão, quer a pobreza ( mormente a infantil) quer... a (in)felicidade, ou outros "estados de alma" ( e não só), não ajuda muito pois, parecendo valorizá-los, só os isola, quando  eles são fruto de imensas coisa a montante e " a latere" que desembocam neles e não se resolvem de "per se".
Portanto, equipa que estude a globalidade e a ajude, pode ser bom, mas entidade no organograma de governo, com um só objectivo específico, não!

Fernando Cardoso Rodrigues

Onde páram as matrículas?

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Foi dado a conhecer através da Comunicação Social que as matrículas para veículos novos estão a sair por conta-gotas, exasperando vendedores e compradores.
Afinal, o que passa na realidade?
Será que as entidades responsáveis estão a dar primazia em matricular os automóveis ligeiros e pesados importados em 2ª mão, alguns dos quais não são mais do sucata externa para serventia interna?
Devemos dar prioridade às empresas que estão no mercado e que pagam os seus impostos dentro de portas, evitando-se, assim, o dispêndio de mais-valias, que ficam fora do controle fiscal interno, ao sabor de muito chico-espertismo que campeia no sector.

José Amaral