domingo, 20 de agosto de 2017

A ESPUMA ( NEGRA) DOS DIAS



Estou em casa “retido” pelo calor, quando descrevo a espuma negra, escura mesmo, como breu , destes dias que vivemos.
Primeiro, foi a tragédia de Pedrogão que consternou o país. Depois, o vento, a canícula e as mentes criminosas (facilitadas pela quase impunidade) que não amainaram, trazendo mais fogo, morte e destruição. Na Pérola do Atlântico, nem a Senhora do Monte, impediu que o secular carvalho, talvez porque não acreditasse em milagres, nem na vida eterna, decidiu pôr termo aos seus dias, transformando assim a sua benfazeja sombra, em morte e sofrimento. A seguir, a sanha criminosa dos que em nome de Deus, mas conspurcando-o, voltaram a matar indiscriminadamente inocentes. Desta vez em Barcelona. Aonde, dos 14 infelizes que se finaram, se incluem duas compatriotas nossas. E mesmo não contando com outras desgraças ocorridas por aí neste mundo de Cristo (?), o rol já vai desgraçadamente extenso.
Mas dizia eu que estou retido em casa devido ao calor, mas não só! Não posso ir para a praia, porque daqui a pouco ,vou dar a minha voluntária contribuição nas Festas de Corroios. Festas, que são “só” das maiores do Distrito, e até a nível nacional. Inédito mesmo! Porque, embora com algum apoio da Câmara Municipal do Seixal, são organizadas por uma Junta de Freguesia. A de Corroios, Claro!
Portanto, nem tudo é mau! Lembro-me ainda de outra proeza que vem clarear mais um pouco a espuma negra destes nossos dias: a vitória da nossa campeoníssima Inês Henriques.
Façamos votos e esforços para que a espuma se torne ainda mais clara. Bem precisamos!
Francisco Ramalho

Corroios, 20 de Agosto de 2017

Um atentado em Barcelona

No tempo de todos os desmandos sociais e atitudes populistas, um atentado foi levado a efeito em Barcelona, nas Ramblas, a zona mais tradicional e de lazer do turismo de massas.
De imediato, a opinião pública de todo o mundo lamentou o sucedido. Também Portugal, bem como os responsáveis da nação verberam veementemente mais este nefando e criminoso acto extremista, pondo-se à disposição das vítimas e de sua família, inclusive a deslocação dos senhores PR e PM à capital da Catalunha, a fim de assistirem às exéquias levadas a cabo na Basílica da Sagrada Família, tal como procederem oficialmente à transladação das falecidas a cargo da nação.
Parece-nos que – tirando o caso de mais este atentado que deve ser duramente repudiado -, os responsáveis máximos do Estado Português portaram-se com elevado populismo, como se as duas vítimas tivessem morrido por terem prestado relevantes serviços à Pátria, o que não se verificou.
Outrossim, nunca vimos os responsáveis da nação deslocarem-se – por exemplo - ao interior do país para darem apoio moral e monetário a tantos tractoristas que têm morrido a trabalhar a terra. Isto é, estamos numa época de se enaltecer a cigarra, em detrimento da laboriosa formiga.

José Amaral


Uma senhora (pela primeira vez) membro do Governo

Resultado de imagem para Maria Teresa de Almeida Rosa Cárcomo Lobo

A Capital de 20 de Agosto de 1970, anuncia “uma inovação na vida pública portuguesa: uma senhora no Governo, A dr.ª Maria Teresa de Almeida Rosa Cárcomo Lobo, natural de Malange, de ascendência goesa” é nomeada, por decreto “subsecretária de Estado da Saúde e Assistência. A cerimónia de posse efectuou-se no dia 21 de Agosto de 1970, pela 15 e 30 no Palácio  Nacional de Belém”.

sábado, 19 de agosto de 2017

O tentacular grémio do fogo

Há décadas que os fogos têm dizimado o país. São matos, são bens, são pessoas que têm desaparecido, enquanto o inimigo se esconde bem longe das chamas desta sazonal desgraça colectiva.
Depois, são os eucaliptos, o foguetório das festas populares e as matas não limpas, os responsáveis por este bem engendrado e tentacular grémio do fogo.
Entretanto, em vez de se apostar decisivamente na prevenção, vão ainda gastarem-se muitos mais milhões na aquisição de mais e sofisticados meios de ataque a tais criminosas ignições e suas derivadas projecções.
Assim, sem se ir ao cerne da questão, o que de facto interessa são manter as negociatas estabelecidas até que Portugal desapareça nas chamas desta continuada fogueira, que a alguns dá muito a ganhar.

José Amaral


Neutralidade não, obrigado


Como é que se percebe que uma criaturinha como Trump tenha chegado à presidência americana? Durante a campanha eleitoral, ainda havia quem pensasse que se tratava de uma revolta “popular” anti-sistema, mas que, na prática, tudo viria a resolver-se com os habituais checks and balances a funcionar. Os profissionais da Casa Branca encarregar-se-iam de levar ao carril o desembestado que, entre muitas outras coisas, proclamava o banimento dos políticos ancorados em Wall Street. Seis meses após a posse, a perplexidade adensa-se. Ninguém sabe o que virá a seguir e pouco importa quem vai sendo despedido. Arrepiantes, contudo, são algumas das tomadas de posição do presidente, designadamente quando na baila estão temas como o racismo ou a xenofobia. E pasma-se quando deparamos com alguns “equilibristas” que, na senda “trumpiana”, acham que os dois lados da manifestação de Charlottesville são comparáveis. Não são, e temos de tomar posição, ser firmes contra o racismo. Nisto, a neutralidade é criminosa, diria Kennedy. Como foi quando Hitler, ardilosamente, arrastou multidões. Num país, lembremo-lo, dos mais cultos e esclarecidos que o mundo tinha. E, no princípio, ninguém acreditava na desgraça que aí vinha, nem sequer muitos dos judeus que pagaram bem cara a credulidade passiva.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Trump alinha com a extrema direita

Para quem tivesse dúvidas, Donald Trump alinha com a extrema direita. Pretende o apoio duma minoria activa e, esta foi concretizada na manifestação racista e nazi dos supremacistas brancos na Virgínia - EUA. Trump xenófabo, misógino e racista apoiou a manifestação contra os
negros e quer restringir-lhes o voto, em futuros actos eleitorais. A liberdade, do ponto de vista racial nos EUA, recuou. A estratégia trumpista é de divisão e assenta em grupusculos apologistas da violência e difusores do medo! É revelador, a antigo líder do Ku Klux Klan (organização fascista/racista), ter agradecido a Trump o apoio dado á manifestação. Quando este comenta o evento, colocando manifestantes racistas e contramanifestantes pela liberdade, no mesmo plano - é intelectualmente desonesto!, ao não separar os dois lados da barricada, diametralmente
opostos. O Partido Republicano de Trump, não se demarcou daquela manifestação nazi, tornou-se refém duma estratégia errática e perigosíssima.
    O Partido Democrata, dividido, também tem uma quota parte de responsabilidade política, já que não fez uma séria condenação desta desprezível manifestação causadora de morte e feridos. Inaceitável.

Vítor Colaço Santos

Público - 20.08.2017

TRUMP NAZI

Não há dúvida. Donald Trump é um fascista, apoia os neonazis de Charlottesville e ataca os anti-fascistas. Até mesmo a sua aliada Theresa May condena a sua posição. Trump alimenta o racismo, a xenofobia, o anti-semitismo, a islamofobia. Trump não anda longe de Hitler. Afirma que há "gente boa" nas hostes da extrema-direita.
A violência dos grupos neonazis em Charlottesville já foi reconhecida como um acto de terrorismo doméstico. Os manifestantes exibiam estandartes da Alemanha nazi e uniformes da Ku Klux Klan. Trump está com essa gente. Trump pertence à pior escumalha à face da Terra.
As árvores também morrem

Era um carvalho com 200 anos, sem sinais de decrepitude, e tombou arrancado pela raíz. Imaginemos este carvalho num jardim do Porto, Lisboa ou mesmo numa pequena urbe de província; os técnicos responsáveis pelos espaços verdes e zonas de lazer decidem derrubá-lo, por desconfiarem da sua solidez.
Os noticiários do dia seguinte abriam com isso, com fotos e vídeos da árvore centenária “esquartejada” e uma multidão em fúria, negando com todas as forças que aquela árvore oferecesse qualquer perigo; que toda a vida a tinham visto assim, que eles, os pais, avós e visavós se consolaram à sua sombra…
Esta é mesmo uma cena demonstrativa de que se pode ser preso por ter cão e por não ter, bem visível agora nesta desgraça da Madeira, em que se ouvem palradores a invectivar os poderes públicos por não terem atendido às queixas contra o estado dos plátanos, dos quais se alguma coisa deles se desprendeu agora foi arrastada por um carvalho que lhes caíu em cima e de que ninguém se queixava; e nem lhes ocorre que apontarem os plátanos de estarem seguros por cabos só desmente a falta de atenção com a segurança que tanto reclamam.
Quando saio de casa -  ou mesmo em casa -  estou sujeito a uma série de imponderáveis que me podem acontecer, sem que se vislumbrem evidentes culpados; mas a primeira preocupação das “boas almas”, incentivadas pelos caçadores de polémicas, é saber quem é o culpado – procurem o culpado de tanto inútil cujo único objectivo na vida parece ser criar entropia ao bem-estar da colectividade…- usando aquela chapa mais que batida “a culpa não pode morrer solteira”!
Temos aqui em Ponte de Lima uma avenida, chamada dos plátanos por toda a gente, embora tenha o nome de D. Luís Filipe, que a inaugurou no início do século passado, pouco antes de ser assassinado. Trata-se de um espaço na margem esquerda do Lima, só para recreio, sem trânsito automóvel, e os plátanos então plantados são hoje árvores enormes, que requerem e têm muita atenção da autarquia.
Plantados dos dois lados da avenida, a copa destas árvores forma um túnel que cobre todo o espaço; quando há ventos caem pedaços, como caem em todo o lado que haja árvores, havendo cartazes de alerta para isso colocados pelos responsáveis; se alguém que ali passe levar com um ramo daqueles e morrer, a família que mande enterrar bem fundo e pronto.

Amândio G. Martins



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ESTAMOS EM GUERRA, COM OS FOGOS!


Não consigo mais ver visitas de ministros e do PM aos locais destruídos pelos fogos, a anunciar a reconstrução de alguma casas para os que ficaram sem elas. Acho que deveria haver mais respeito para com os mortos e as suas famílias.

Façam uma boa pausa no "politicamente correcto", deixem as poses ministeriais, inventariem as responsabilidades e sancionem os responsáveis, mesmo os do topo, não simples funcionários. Haja pudor para com o sofrimento alheio, não exibam sorrisos contentes ao distribuir uns cheques. Assumam que falharam, como responsáveis pela segurança das pessoas e bens. É o próprio conceito de Estado que está na ordem do dia. De um Estado que não se consegue defender, e uma vez atacado, os seus dirigentes parecem querer pôr primeiro o seu cargozinho a salvo, do que resolver problemas gravíssimos. Acabe-se com a burocracia para atenuar a dor e as perdas materiais. Nós estamos em guerra com os fogos. Fogos que este ano já permitiram que fossem acusadas 91 pessoas de os atear. Imagino quantas dezenas mais não estiveram envolvidas nestes crimes. Como é possível haver ignições nocturnas, em locais diferentes e cirurgicamente ateados? E o Secretário de Estado da tutela a queixar-se desta desgraça. Devia era fazer tudo ao seu alcance para prevenir, porque depois é tarde. E prevenir com as forças armadas na floresta. A patrulhar os pontos mais desprotegidos, onde esses bandidos se acoitam cobardemente para atear fogos. Com legislação dura, que permita que as polícias e as autoridades os encarcerem e tratem em hospitais psiquiátricos, se fôr caso disso. Isto no fundo, com o estado de calamidade já declarado, deveria ser mais uma operação militar do que uma operação civil, tal a dimensão desta tragédia.

Portugal a ferro e fogo

Os gentios deste dito sossegado e acomodado país – onde o turismo está na crista da onda e no cu das galinhas de ovos de ouro –, que vivem essencialmente no desertificado interior e que persistem nele viver, são obrigados a assistir à guerra sazonal dos incêndios, os quais, cada ano que passa, são mais.
Assim continuando, das duas uma, ou Portugal abandona de vez a posse de tais terras do demo, cingindo-se ao território traçado por uma linha imaginária que vai de norte a sul do litoral até à A1, ou, então terá de alugar mais terrenos de denso matagal, a fim de manter a sazonal indústria de terra queimada, até à extinção final de uma sociedade que vive sem saber bem o que fazer, para se manter dentro das mais elementares normas de racionalidade.

José Amaral

O culpado?

15 de Agosto, arraial da Senhora do Monte na ilha da Madeira. Residentes já tinham avisado a autarquia sobre a árvore e em Março caiu um galho de grande porte. Foram notificados para virem proceder ao corte desta árvore e de outra que estava atrás. Nada fizeram. As árvores estavam de boa saúde. A vereação anterior recebeu uma comunicação bem como a actual. Afinal era um plátano. Morreram 13 pessoas e muitas ficaram feridas. O ministério Público abre um inquérito para saber  quem é o culpado. O culpado? É o carvalho.


                     Publicada   no   DN-M de 17.08.2017            Jornal PÚBLICO  18.08.2017

                                                                EXPRESSO 19.08.2017

                                                             Ilustração do leitor Paulo Pereira




Raio de luz…

Mas quem és tu que vens e vais
Para procederes assim
A escarnecer dos meus ais
Vendo que eu sofro de mais
Sempre que olhas para mim…

Se és só um raio de luz
Pára com este mistério
Se és um mal que me seduz
Não vou carregar esta cruz
Não és de levar a sério.

Um dia sorris com gosto
Alegras quem te venera
Mas quando viras o rosto
Dás um enorme desgosto
A quem por ti desespera!

Não sei nem como te chamas
Nem qual o teu pensamento
Se já tens alguém e amas
Ou preferes outras tramas
Aventuras de momento…

Amândio G. Martins





quarta-feira, 16 de agosto de 2017

PARA ESCLARECIMENTO DE ELEITORES:


MARX E NIETZSCHE

Já Karl Marx afirmava que na actividade real de qualquer ser humano há sempre uma certa dose de passividade, maior ou menor, que diminui com o ânimo ou com o grau de consciência mas que nunca desaparece totalmente. Não se pode falar em proletariado como se falava nos séculos XIX e XX. Contudo, é muito frequente ouvir expressões conformistas como "tem que ser" ou "é a vida!". Isto significa que essas pessoas das classes menos favorecidas e da pequena burguesia já interiorizaram de tal forma o capitalismo que o vêm como uma fatalidade e até o defendem. No fundo, essas pessoas vivem completamente alienadas e amputadas.
Nesse aspecto, Marx e Nietzsche até coincidem ao defenderem a superação do homem, o homem total. Marx, mais ao nível colectivo, Nietzsche, mais ao nível individual. Marx vê o comunismo "como a apropriação real da essência humana pelo homem e para o homem, (...) como regresso do homem a si próprio na sua qualidade de homem social, (...) como o verdadeiro fim da querela do homem com a natureza e entre o homem e o homem, como fim da querela entre a existência e a essência, entre a objectivação e a afirmação de nós próprios, entre a liberdade e a necessidade, entre o indivíduo e a espécie". Nietzsche vê a vida como um experimento permanente, como busca do Super-Homem, daquele que cria, do portador da liberdade absoluta.
E o que vem a seguir também é muito mau…

Os gravíssimos prejuízos causados pelos incêndios não se resumem aos bens agora ardidos. Há meses que foi declarado em seca severa mais de 70% do território; e a falta de água nos aquíferos subterrâneos é um assunto muito sério.
A pouca gente passa pela cabeça que só chovendo com abundância teremos água potável suficiente, pois não há outra forma de haver água, e mesmo assim se estivermos em condições de aproveitar essa imprescindível dádiva…
Mas está demonstrado que os solos dos espaços ardidos se perdem de forma acelerada nos invernos subsequentes, por falta de vegetação que os segure, não só impedindo a infiltração das águas pluviais, o que inviabiliza o reabastecimento dos aquíferos, como torna problemático o repovoamento florestal.
Uma outra consequência grave da perda de solos é que, não sendo as águas das chuvas absorvidas nos espaços onde caem, estas vão engrossar os caudais pelas encostas abaixo, provocando inundações de toda a ordem nas povoações a juzante.


Amândio G. Martins