quinta-feira, 30 de maio de 2013

Árvores




“São seres silenciosos que, a nosso lado, partilham quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mal damos por elas, as árvores, tão comum e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima. A maior parte da vezes pouco mais somos capazes de dizer do que «árvore», ou «árvores», porque também as nossas palavras se foram, pouco a pouco, tornando silenciosas. E, no entanto, cada árvore, como cada um de nós, é um ser absoluto e irrepetível, idêntico apenas mutantemente a si mesmo, uma única vida com uma história única, um passado para sempre atado, de forma única, ao nosso próprio passado.”

Manuel António Pina
In “À sombra de árvores com história” Campo Aberto 2004

2 comentários:

  1. Lindo e simples, óbvio , mas somos incapazes, como os poetas, de o dizer. Tomáramos nós ser silenciosos ou mais, como as árvores. Somos, pelo contrário, barulhentos, falo às vezes sem pensar, num impulso. Tomara eu não ter boca...(às vezes)
    Obrigada, Pedro, por me teres dado a conhecer este texto

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  2. E elas são anónimas, sim. Não sabemos os seus nomes. São árvores... Também não sabemos o nome dos nossos vizinhos, que vivem anos e anos do outro lado da rua...

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