segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Apontamentos diversos

Descontando algumas excepções, como Frei Bento Domingues, os teólogos em Portugal, ao contrário de Espanha, não se pronunciam sobre a crise economico-financeira. Gonzáles Faus, da Faculdade de Teologia da Catalunha, critica sem pruridos a presente situação.
Num trabalho intitulado “Agências de rating ou de raping?”, denuncia os bancos de investimento que vendiam activos tóxicos, sabendo que o faziam, com as malfadadas agências a classificá-los com triplo A, porque também ganharam biliões com isso; pouco antes da queda, o vigarista Madoff tinha triplo A…
Diz Gonzáles Faus que o real significado daquela legenda das notas de dólar, “In God We Trust”, é mesmo “In THIS God We Trust”. É que para Wall Street e o capital, um trabalhador não é mais que uma ferramenta, e as ferramentas não têm qualquer dignidade!
Quem são os mercados? Como o que mais interessa é o lucro, os donos do dinheiro investem somas fabulosas na especulação financeira; neste momento ninguém sabe até onde chega a imensa montanha de dinheiro que os “mercados” manipulam sem qualquer controlo. Um só indivíduo, com o seu computador, a partir de casa, pode afundar a estabilidade económica e as poupanças de milhões de pessoas.
A corrupção maior que enfrentamos não é a desta ou daquela pessoa, deste ou daquele político, mas a do sistema capitalista que tudo domina; para os traficantes capitalistas ganharem dinheiro, este já não tem de passar pela produção de coisa nenhuma, pois o lucro é mais fácil no mercado de capitais, sem qualquer controlo sério.
Presentemente produzem-se alimentos para 12 mil milhões de pessoas, mas há mil milhões com fome e a cada dia morrem mais de 20 mil crianças. Na especulação sem escrúpulos, um “investidor” compra todos os cereais do mercado e guarda-os; as pessoas vão morrendo de fome, mas quando os preços subirem ele vende-os pelo dobro ou triplo do preço justo.

Amândio G. Martins


3 comentários:

  1. Um dos melhores textos que desde sempre li aqui no blogue. Um retrato fidelíssimo do capitalismo que não tem remédio. É incurável. Acabará por ser auto-destrutível. Mas com que custo!?

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  2. De facto, este sistema que nos degrada já deu muitas demonstrações da sua falta de vontade de se reformar, porque é assim como está que ele rende aos seus fautores, aos seus ideólogos. Mal saídos da última crise criada pelas suas falcatruas e ei-lo a laborar nos mesmos erros, com os mesmos métodos, as mesmíssimas jogadas sujas...

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