sábado, 19 de agosto de 2017

Neutralidade não, obrigado


Como é que se percebe que uma criaturinha como Trump tenha chegado à presidência americana? Durante a campanha eleitoral, ainda havia quem pensasse que se tratava de uma revolta “popular” anti-sistema, mas que, na prática, tudo viria a resolver-se com os habituais checks and balances a funcionar. Os profissionais da Casa Branca encarregar-se-iam de levar ao carril o desembestado que, entre muitas outras coisas, proclamava o banimento dos políticos ancorados em Wall Street. Seis meses após a posse, a perplexidade adensa-se. Ninguém sabe o que virá a seguir e pouco importa quem vai sendo despedido. Arrepiantes, contudo, são algumas das tomadas de posição do presidente, designadamente quando na baila estão temas como o racismo ou a xenofobia. E pasma-se quando deparamos com alguns “equilibristas” que, na senda “trumpiana”, acham que os dois lados da manifestação de Charlottesville são comparáveis. Não são, e temos de tomar posição, ser firmes contra o racismo. Nisto, a neutralidade é criminosa, diria Kennedy. Como foi quando Hitler, ardilosamente, arrastou multidões. Num país, lembremo-lo, dos mais cultos e esclarecidos que o mundo tinha. E, no princípio, ninguém acreditava na desgraça que aí vinha, nem sequer muitos dos judeus que pagaram bem cara a credulidade passiva.

1 comentário:

  1. Ainda houve por algum tempo a ilusão de que a responsabilidade do cargo o chamaria à razão, mas não passou disso mesmo, de pura ilusão. De facto, o bandalho confunde o povo americano com a corja de crápulas que o mima e a quem ele dá toda a cobertura!

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