quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Os grandes são mesmo simples

O empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann, talvez por ser de ascendência suiça, é a antítese do que são, na generalidade, os empresários brasileiros, que se banqueteiam com políticos corruptos para que os seus negócios prosperem, pagando a conta o povo …
Jorge Lemann, que nem vive habitualmente no Brasil, demonstra ser um praticante da vida sem ostentação, simplicidade que diz ter aprendido com o também grande empresário norte-americano Sam Walton, fundador do gigante Wal-Mart.
Grande admirador deste empresário americano, Lemann quis conhecê-lo pessoalmente, para o que se deslocou propositadamente aos Estados Unidos. Chegado à localidade onde lhe tinham dito que encontraria a pessoa que tanto admirava, pediu a um senhor que se deslocava numa velha carrinha de caixa aberta, com vários cães barulhentos em cima, se lhe poderia informar onde encontrar Sam Walton, ao que o velhote lhe respondeu sem reticências: “Sam Walton sou eu”!
A visão daquele tão importante e abastado empresário, vestido de forma negligente e ocupado em tarefas corriqueiras foi, para Lemann, um exemplo que disse nunca mais deixou de tentar imitar, para o que muito contribui, também, o facto de fazer questão de se manter longe do ambiente nauseabundo que constitui a promiscuidade dos negócios com a política no Brasil.
Como dizia Bertrand Russell, a estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver…


Amândio G. Martins

1 comentário:

  1. É verdade! Faz agora anos, andava eu a deambular pelo espaço literário da Festa do Avante, dou de caras com José Saramago que estava a acabar de dar autógrafos. Eu não tinha ali nenhum livro dele para autografar, mas tinha acabado de ler " Levantado do Chão" onde ele usa muitas expressões populares alentejanas, como sou alentejano e ele ribatejano (claro que não há assim grande diferença) Mais motivo para meter conversa, perguntei-lhe como conhecia assim tão bem a "voz do povo" e tivemos ali um bate papo interessantíssimo onde me disse que chegou a dormir com bacorinhos do avô para os aquecer. O já famoso escritor que passado algum tempo iria ser um dos nossos dois prémios Nobel. Não há duvida que os homens grandes são mesmo simples.

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